Algumas impressões sobre o conflito no Oriente Médio
A criação do estado de Israel se dá com o apoio das Nações Unidas , que
possuem sempre dois pesos e duas medidas para tomar suas ações. A ONU pauta
suas ações sob a égide dos interesses das nações que a dirigem. Como a
direção da ONU sempre esteve sob a batuta dos estados mais poderosos, que por
"acaso" são os países mais ricos onde o lucro é a baliza pela qual
a justiça se equilibra. Isto significa dizer que a ONU é dirigida pelos
interesses do lucro. A criação do Estado Sionista de Israel é antes de tudo
uma necessidade de ter o controle sobre o petróleo, com um estado fortemente
armado, capaz de fazer frente a qualquer tentativa de independência dos povos
árabes em relação a suas economias e principalmente em relação ao seu
petróleo.
Para criar um estado com este objetivo na região, é preciso antes desalojar os
antigos moradores, o povo palestino, por ter a menor organização militar, é
incapaz de fazer frente a uma investida desta natureza, por isso, é o escolhido.
Mas até mesmo o mais humilde ser humano ao ser desalojado de sua casa tenta de
todas as formas resistir, e continua até hoje, mesmo com pedras enfrentando
tanques poderosos.
O reconhecimento ao direito do povo palestino a ter um estado próprio, não é
uma simples questão de se encontrar um depósito para o povo palestino, mas
devolver-lhe a casa que lhe foi tirada.
A ONU foi firme ao enfrentar a invasão do Iraque ao Kuait agindo em defesa da
auto determinação do povo do Kuait, mas apóia a invasão e a ocupação do
território palestino por Israel, dois pesos e duas medidas. Tinha interesse
econômico em manter Sadan Hussein fora dos poços de petróleo kuaitianos e
tinha interesse em Israel como um estado aliado, mesmo que isso fosse a
negação da auto-determinação do povo palestino.
A estratégia econômica e militar das grandes potências conta com um
sentimento de um setor social que foi perseguido e discriminado por muito tempo,
os judeus.
Esta é a situação do Oriente Médio, a existência do Estado de Israel, não
resolveu os problemas na região mas os agravou. As intifadas são lutas de
resistência ao poder econômico e não se trata aqui de apoiar um povo ou outro
mas de olhar o problema na região como parte de uma situação econômica onde
as nações economicamente mais fortes tentam subjugar as mais fracas. Esta
situação se dá desde o mecanismo de exploração das dívidas externas dos
países de terceiro mundo e mesmo no Oriente Médio através na negação ao
direto de auto determinação do povo palestino. O terceiro mundo ainda não se
levantou contra a sua exploração através do mecanismo das dívidas externas
mas o povo palestino se levanta contra a ocupação de seu território. Esta
luta é mesma luta de todos os povos oprimidos e explorados.
Um abraço
Fernando Dal Magro
Brasil
dal.magro@uol.com.br