Seminario
Sesión del 21 de enero de 2002 (19:30 horas)
Seminario: "A Historiografia, o Ensino da História e a Memória
Histórica em Portugal. Do Estado Novo aos tempos actuais"
Informa: Luis Reis Torgal (Universidad de Coimbra, Portugal)
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A Historiografia, o Ensino da História e a Memória Histórica em Portugal. Do Estado Novo aos tempos actuais |
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Em Portugal não existe hoje propriamente um paradigma historiográfico em termos de metodologia e em termos de temáticas preferenciais. Tanto pode surgir um colóquio sobre temas "clássicos" (por exemplo, para falar dos últimos, "O Estado e a Igreja"), como de temas novos relacionados com a mulher ou "As Minorias étnicas e religiosas em Portugal". Tanto pode escrever-se uma nova História da Expansão Portuguesa ou uma nova História Religiosa de Portugal, como pode estudar-se a História da Morte. Todavia, é visível a perda de influência, que aliás se verifica em todo o lado, do marxismo e da "história nova", e o apelo insistente à narratologia, à "história política" e às biografias e fotobiografias. O mesmo se passa no ensino da História, em que de uma história marcada pelo selo da "história social" se passou para uma história mais diversificada e de tipo mais factual e "político". Quanto às memórias, pode dizer-se que se elas não têm um cunho "nacionalista" (perdeu quase significado a comemoração do 1.º de Dezembro), ainda que não se tenha perdido de todo as imagens do "Império", também não assumem nenhum papel especial no contexto de quaisquer movimentos políticos e sociais de "esquerda". Ou seja, deixou de se entender a história e a memória como armas de qualquer tipo. No entanto, a historiografia inclusivamente com a criação dos mestrados e a abertura dos doutoramentos a não "universitários" cresceu quantitativamente e mesmo, em certo sentido e na sua relatividade, e tendo em conta o papel negativo e positivo da "divulgação", desenvolveu-se qualitativamente. A quantidade de "Histórias de Portugal", surgidas nos últimos anos, é reveladora desse dinamismo. Em conclusão a história acompanha a sociedade de hoje, marcada por uma perda de ideologias profundamente transformativas e finalistas, embora se fale por vezes, suavemente, de transformações a nível das relações internacionais e culturais, como o que sucede com os fenómenos europeístas e da globalização. É difícil, afinal, divisar pólos de influência, à medida que cresce a "força americana" e surge, do outro lado, uma crise resultante da força do "terrorismo" e do "fundamentalismo". Seja como for, em Portugal, no domínio da História, vive-se agora um "ambiente respirável", tendo em conta que só em 1974 (ou, melhor, a partir dos anos 1960, ainda que normalmente "fora do sistema") se abandonou uma "história marcada pelo salazarismo", ao nível do ensino, da memória e da historiografia. Como contemporaneísta, considero que se deu, apesar de tudo, um grande salto, dado que só a partir de então se desenvolveu a história do século XIX e XX.
Bibliografia Luís Reis Torgal, J. M. Amado Mendes e Fernando Catroga, História da História em Portugal, Lisboa Círculo de Leitores, Círculo de Leitores, 1996. 719 pp. Segunda edição em 2 volumes (492+438 pp.) Lisboa, Temas e Debates, 1998. Maria Helena Coelho, Maria Manuela Tavares Ribeiro e Joaquim Ramos de Carvalho (Coordenadores), Repertório Bibliográfico da Historiografia Portuguesa. 1974-1994. Coimbra, Faculdade de Letras de Coimbra Instituto Camões, 1995.
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