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Convocatorias

 
CINEMA-HISTÓRIA: TEORIA E EMPIRICIDADES NUMA PERSPECTIVA TRANSDISCIPLINAR  (IMAGENS E AUDIOVISUAIS NAS SUAS TRANSVERSALIDADES).
 
O objetivo do presente Simpósio Temático é agrupar pesquisadores de diversos  níveis e de diversas áreas em torno da problemática-objeto, cinema-história,  numa abordagem transdisciplinar e numa perspectiva tanto epistemológica,  como empírica, considerando suas complexas, conflitantes e dialéticas  relações. Cinema-história é também uma teoria. A partir dela julgamos não  ser nossa preocupação exclusiva, a história do cinema (ou das demais imagens  audiovisuais e suportes, vídeo, tevê, VT publicitário, etc.) como obra de  arte. Tal preocupação se insere nas nossas pesquisas e reflexões, mas de  modo subordinado à preocupação mais ampla sobre a relação complexa e  dialética que dá título ao nosso Simpósio Temático. Pensamos ser necessário  estudar a história pelas imagens audiovisuais e vice-versa, sem negar a  importância dos aspectos estéticos dos produtos áudio-imagéticos e as  especificidades de suas linguagens e signos, concebendo a forma como uma  expressão dialética do conteúdo e o conteúdo, sem possibilidade de tratado  através da apartação cartesiana da forma.
 
O conteúdo é assim, para nós, também determinado pela forma. Partindo da  história-processo e retornando a ela como história-pensada, anima-nos a  clareza de que não existem belas (ou feias) formas, senão da vida e de seus  processos. A elaboração a respeito da problemática e da teoria  cinema-história estende seu campo, aprofunda o seu alcance e desenvolve suas  conseqüências epistemológicas. A complexidade inerente a essa relação  permite incluir reflexões não apenas de imagens animadas (cinema,  propaganda, TV, etc.), mas também de imagens paradas (fotografias charges,  HQs, etc). Tal complexidade poderá ser abordada no nosso Simpósio Temático  como objeto de pesquisa, como fonte primária e como discurso da e sobre a  história. Pode também ser abordada como lugar de memória; ou como  representações que se voltam tanto para as construções sobre o presente,  quanto para aquelas que buscam reconstruir o passado. Pode, ainda, ser  abordada como lugar do imaginário ou também da perspectiva das linguagens e  suportes, inclusive para o ensino da história. A palavra cinema adquiriu  assim, um sentido largo por comportar na sua construção todas as outras  formas imagéticas. É também palavra signo da nossa teoria pela precedência  que adquiriu através desta mesma teoria no enfoca da relação e de sua  complexidade. As imagens cinemáticas e áudio-imagéticas construíram ao longo  do século XX um imenso laboratório para a reflexão epistemológica do  historiador e cientista social que incluem, também, pesquisar o lugar da imaginação, das novas tecnologias ou aquele da inteligência sensível e das  questões ligadas à recepção e à cognição. Essas múltiplas compreensões  deixam entrever tanto os discursos que se constroem através das imagens e do  cinema e que recriam, representam, descrevem e/ou explicam a história,  quanto os modos pelos quais se dá a construção e a circulação desse  discurso, quanto ainda os sujeitos que absorvem tais discursos. Estes, na  sua grande maioria, enquanto receptores têm sido mais objetos da máquina de  produção de massificação ideológica que utiliza os mais diversos suportes e  que deu face à chamada sociedade do espetáculo.

Cinema-história, tal como a concebemos, cria, assim, uma outra relação  complexa que não apenas aquela do historiador que quer estudar o cinema ou  os demais áudio-imagéticos como obra de arte (ou como sistema de produção ou  a evolução de suas técnicas, por exemplo) ou aquela do cineasta que quer  representar e tratar dos fenômenos histórico-sociais. Qual o aporte  específico da história e das ciências sociais e o que diferencia esse aporte  daquele dos críticos de estética, jornalistas e estetas em geral? Que  contribuição seu olhar específico pode produzir a respeito desses objetos  comumente tratados como produtos da indústria cultural? As "revoluções"  científicas promovidas pela nova história e pela nova história cultural não  permitem mais que as imagens áudio-imagéticas sejam consideradas como  território sagrado apenas para refinadíssimos especialistas da estética, da  comunicação ou da história da arte. Nelas, o historiador ou o cientista  social encontram, hoje, legitimidade também.

 
Míriam Rossini e Jorge Nóvoa
Universidade Federal de Bahia